Uma história sem sentido.

Mais um dia cinza nessa cidade que nunca dorme, ela acordou com aquela agonia de sempre, escovou seus dentes, tomou um banho rápido, vestiu a velha camiseta da sua banda favorita, aquela calça jeans que tanto gosta, deu uma arrumada no seu cabelo liso ondulado e calçou seu velho all star preto. Olhou no espelho e disse pra si mesma: “Está tudo bem certo? Está tudo bem”. Respirou fundo, tomou seu café e saiu atrasada como sempre, correu para pegar o ônibus, sentou em um banco sozinha, pegou seu livro e seus fones de ouvido e se afundou em seu próprio mundo. Chegou ao trabalho e fez todas suas obrigações, como de costume só falava o necessário, voltou para casa, tomou seu banho e foi escrever, como de costume. A bailarina estava triste (como de costume), sua lua não aparecia fazia um tempo e isso a deixava completamente triste e sozinha, lua era a unica que alegrava a pobre bailarina.
Já passava da meia-noite e a bailarina ainda não havia conseguido dormir, se ouviu um barulho na sua janela, se ouviu o barulho do vento e das folhas sendo levadas, ela se levantou e abriu a janela, era a lua, um sorriso largo apareceu no rosto da pequena bailarina, o céu estava chorando e suspirando muito, as folhas entravam pela janela e as gotas d’água estavam espalhadas pelo seu rosto, nada descrevia a felicidade dela ao ver sua lua, a convidou para entrar, quem sabe tomar um café, explicar o motivo de ter sumido. A bailarina estava cheia de perguntas e a lua estava calada, ela não entendia o motivo daquele silêncio, mas gostava dele, as duas deitaram na cama e dormiram naquele silêncio, amanheceu e a lua tinha sumido, bailarina começou a chorar desesperadamente, percebeu que aquilo era tudo fruto da sua imaginação fértil, lua jamais estaria em sua cama.
Voltou a dormir, acordou com o celular tocando, era sua amada, um sorriso apareceu em seu rosto e ela atendeu com sua voz de sono:
– Alô.
– Olá, bailarina. Estava dormindo?
– Sim, estava.
– Percebi pela sua voz, senti sua falta. Por que sumiu?
Silêncio por alguns minutos.
– Sentiu minha falta? Não sumi, não sai do lugar onde me deixou.
– Senti sim, até demais. Então acho que meu orgulho se esqueceu disso, mais uma vez.
– É, acho que esqueceu. Como você está?
– Estou bem e você?
– Como sempre… Explique isso de sentir até demais.
– Senti falta da sua voz doce, da sua respiração, das tuas risadas, de você brigando comigo por não entender o que sente, senti falta das pequenas coisas.
Um longo silêncio se estendeu por alguns minutos.
– Sei que tudo isso é uma surpresa para você, pra mim também, mas esse tempo serviu para mim perceber que eu realmente a amo, a amo como você me ama e eu ficaria muito agradecida se viesse abrir a porta, estou cansada de ficar em pé.

Bailarina desligou o telefone e correu até a porta, a abriu e viu o amor da sua vida parada ali na porta de entrada, a abraçou e a levou para dentro, as duas ficaram se olhando por um longo tempo, admirando o sorriso de ambas, bailarina só conseguiu dizer uma coisa:
– Eu te amo, eu te amo muito.
– Eu te amo, bailarina. Sempre soube disso, só estava com medo, mas agora estou aqui e você também, não precisamos mais sentir medo, não precisamos deixar nossos demônios atrapalhar o nosso amor, estou aqui e aqui ficarei para sempre. O nosso sempre!

A noite chegou, as duas se amaram e adormeceram juntas, lua e bailarina, bailarina e lua. E quem disse que o amor verdadeiro não existe? Quem disse que o amor morreu?

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